Após fugir de maus-tratos em casa, iraquiana encontra Jesus: “Ele me deu forças”
Mai nasceu no Iraque e foi criada em uma cultura rígida que menosprezava as mulheres. Com 10 anos, sua mãe morreu e passou a sofrer nas mão...
Mai nasceu no Iraque e foi criada em uma cultura rígida que menosprezava as mulheres. Com 10 anos, sua mãe morreu e passou a sofrer nas mãos de seu pai.
O homem se dizia cristão mas era violento, alegando que estava agindo para estabelecer a “ira de Deus”.
“Acreditei que meu pai tivesse esse poder espiritual superior em que Deus lhe diz para fazer algo comigo. Eu pensei: quem sou eu para questionar? Então, aceitei tudo. Aceitei o abuso verbal, a falta de autoestima, a falta de amor-próprio. Eu pensei: não sou digna de nada, de amor, compaixão, cuidado”, contou Mai, em entrevista à CBN News.
Em 2009, a família se mudou para Nova York, nos Estados Unidos. No novo país, o comportamento abusivo do pai piorou e ele exercia um controle doentio sobre ela.
"Eu me sentia muito presa a ponto de sentir que, quando fui para o ensino médio, eu levava uma vida dupla, ninguém sabia o que estava acontecendo na minha casa, nem mesmo meus amigos que são do Oriente Médio”, lembrou Mai.
Vítima de violência
A adolescente era proibida de usar seu cabelo solto, quando ela desafiou a regra o pai a puniu severamente.
“Meu pai viu meu cabelo solto e perguntou: 'O que você acha que está fazendo?' Eu disse: 'Vou pra escola com o cabelo assim. Vou fazer algo diferente. É meu aniversário de 16 anos'. E ele respondeu: "Não, você não vai’”, disse Mai.
“Foi aí que ele enrolou meu cabelo no braço e decidiu usar uma faca de cozinha para cortar todo o meu cabelo. Eu o odiava. Eu queria que a pior coisa acontecesse com ele”.
Até que uma colega alertou Mai que ela estava enfrentando violência e não disciplina de seu pai.
Ao pesquisar sobre paternidade abusiva, Mai percebeu que realmente estava sendo vítima de violência física e psicológica.
Então, a jovem decidiu fugir de casa e se refugiar na casa de sua avó. “Lembro de ficar tão paralisada de medo. Eu não tinha medo do que ia acontecer, mas tinha medo do meu pai me pegar. Se eu não fizesse isso, ele nunca me deixaria em paz”, comentou.
O pai nunca mais a procurou. Mais tarde, Mai ingressou na universidade e teve dois empregos para se sustentar.
A jovem passou a aproveitar a liberdade, mas enfrentou a solidão. "Durante as festas de fim de ano é que realmente percebi o quanto me sentia sozinha. Eu questionei: ‘Será que tomei a decisão certa ao sair? Será que minha vida vai ser assim daqui pra frente?’. Foi aí que eu fui ao fundo do poço mentalmente”, revelou.
Após passar por abuso em casa, Mai questionou a existência de Deus. “Lembro de pensar: ‘por que preciso seguir um Deus que é um Deus que permite maus-tratos? Não quero ter nada a ver com isso. Eu não acho que exista um Deus. Acho que meu pai só usou ele para abusar”’, relatou.
Em contato com o amor de Deus
A imagem da jovem sobre a fé cristã mudou quando ela conheceu um cristão chamado Kirk. Ele lhe mostrou o verdadeiro Evangelho e o amor de Deus.
"A alegria pura e o amor pela vida que ele tinha eram muito atraentes para mim e eu pensei: 'Eu quero isso'", observou Mai.
Ela passou a frequentar a igreja com Kirk e a estudar a Bíblia, e foi impactada ao conhecer a bondade de Deus.
“[Pensei]: ‘Quero conhecer aquele Deus da misericórdia de que todo mundo fala. Quero conhecer o Deus que amou tanto seus filhos. Ele enviou seu único filho à Terra para nos salvar e nos trazer de volta para Ele’”, disse.
Liberando perdão
Então, a iraquiana entregou sua vida a Jesus e foi batizada. Mai acabou se casando com Kirk e decidiu liberar perdão ao pai.
“Eu precisava perdoá-lo para poder ter uma relação melhor com Cristo, para ter uma relação melhor com meus filhos. Eu precisava quebrar esse ciclo. Deixei meu passado para trás”, testemunhou.
Hoje, Mai disse que sabe que tomou a decisão certa de deixar o lar abusivo. "Deus me deu a força para me afastar. Ele precisava que eu me afastasse porque, se eu não o fizesse, não teria um relacionamento com Ele. Eu não saberia quem é meu Jesus, e não saberia que posso ser amada e amar, posso ter alegria e paz”, declarou.